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Mostrando postagens de março, 2018

Rio de Janeiro, Rio de Janeiro

Às vezes tem vezes que a gente se sente bem consigo mesmo. Frase não mais redundante do que o verão do Rio é a melhor coisa que existe. Não o verão no Rio, porque essa época, em especial pela prolífera quantidade de pivetes, guardadores safados, vendedores espertos, não é recomendada para gente de pouca experiência, vulgo turistas, que assim acabam por justificar a expressão green go. Não trabalho no Centro da cidade, não trabalho. Tenho férias. Longas férias no horizonte. Tenho o sol. Perdi algumas coisas recentemente, muita coisa, perdi um presente e com ele a possibilidade de uma vida inteira pela frente, escrevi a história mais bonita, agora manchada, mas que é eterna em sua escrita. Ganhei a alegria, alegria de Caetano, de não ter nada no bolso, não de tomar uma Coca-Cola, mas um açaí, um suco, uma cerveja estupidamente gelada, um mate de galão, uma água de coco. Não jogo altinha, a tradicional alta, mas gosto de assistir, a bola, pular, de um lado, pro outro. Ando muito, n...

Fique atento, irmão

Fique atento A grande maioria das discussões se encerra superficialmente. É raro tocarmos nas questões mais profundas e incômodas que subjazem os comichões   cotidianos. Somos conversadores de bar. E quando descambamos para discussões de maior propósito e substância, quando encaramos a complexidade, temos a detestável tendência de complicar nossa linguagem. Distorcemos o discurso e nos afastamos dos pontos fundamentais, camuflamos incertezas com afirmações vagas e minamos o raciocínio claro com circunlóquios. O decepamos e deformamos burocraticamente, replicando os resultados da masturbação acadêmica. Tenho para mim que é melhor ser ignorante do que burramente intelectual. O alto pensamento vaidoso tem o poder de causar mais danos do que a humilde ignorância. Ela, ainda que gere obstáculos, sozinha não é capaz de atrasar a humanidade cinco ou dez anos, conduzindo-a na direção errada. Uma caixa de supermercado ruim de matemática gera um a...

Um Conto Carioca

Era no cair da noite que o trabalho se encerrava. Horas e mais horas codificando no maldito Excel. Colunas e linhas e planilhas de nada. Sala ampla, baia apertada. Luz branca, quase pálida. Uma secretária feia e ranzinza, o vício no café, o mau hálito depois do almoço no árabe, a camisa social barata, o constrangimento de um elevador lotado e o desodorante da manhã que já não faz mais efeito. Presidente Vargas. Prédios feios se erguem cinzas até os céus. Cinzas. O que resta de beleza segue mal cuidada e o trabalho por aqui já está encerrado. “Ficar para um chopp com sardinha? Não, Otávio e Marquinhos não. Otávio é tranquilo, Marquinhos é mala. Ganhou um aumento: tira 4.000 e eu ganho só 3.” “Sexta feira o transito é horrível. Chega logo, merda de ônibus. Vamos lá que hoje é dia de meter na Priscila.” Priscilla. Cabelos negros, pele morena, dentes cinzas, barriguda, vascaína. Trinta e oito anos. Gosta de Periquita com queijo francês. O pai era guarda municipal e a mãe...
Meu nome é Guilherme Boisson, sou estudante de jornalismo da PUC-Rio e este blog se dá como espaço de comentário cultural. Sua natureza se pretende jornalística, mas não nega seu caráter opinativo.