Às vezes tem vezes que a gente se sente bem consigo mesmo. Frase não mais redundante do que o verão do Rio é a melhor coisa que existe. Não o verão no Rio, porque essa época, em especial pela prolífera quantidade de pivetes, guardadores safados, vendedores espertos, não é recomendada para gente de pouca experiência, vulgo turistas, que assim acabam por justificar a expressão green go.
Não trabalho no Centro da cidade, não trabalho. Tenho férias. Longas férias no horizonte. Tenho o sol. Perdi algumas coisas recentemente, muita coisa, perdi um presente e com ele a possibilidade de uma vida inteira pela frente, escrevi a história mais bonita, agora manchada, mas que é eterna em sua escrita. Ganhei a alegria, alegria de Caetano, de não ter nada no bolso, não de tomar uma Coca-Cola, mas um açaí, um suco, uma cerveja estupidamente gelada, um mate de galão, uma água de coco.
Não jogo altinha, a tradicional alta, mas gosto de assistir, a bola, pular, de um lado, pro outro. Ando muito, não corro porque faz mal...a meu calcanhar avariado.
Sou feliz, com o perdão da expressão, pra caralho. Mas só assim, em bom carioquês, descobri uma expressão nova, que de nova nada tinha, mas assim pra mim era. Migué.
Ainda não sei direito bem qual é a desse migué, mas já descobri uma infinidade de usos.
Estou extremamente longe de ser um Ancelmo Gois, mais ainda de ser um Joaquim Ferreira. Orgulhoso de mim e das vitórias.
Tenho ido à praia, demais. A verdade é que me arrependo de só ir à praia no verão, de férias. De falhar com esse compromisso indispensável durante os outros dias do ano. E sei que ninguém vai sentir arrependimento, apesar do possível aborrecimento dos pais e da reprimenda do chefe, ao matar uma aula ou um dia de trabalho e se mandar pro mar, pra areia e pro sol. Fica a dica.
Sei escrever culto, falar culto, me adequar à norma padrão. Mas aprendi, como o bom Vinícius ao longo de seu fazer poético e do ofício, que os temas e a língua da terra são mais importantes que a forma e exegese. E é esse mesmo Vinícius que nos ensina a ver a boa e velha garota de Ipanema, hoje não mais boa, mas definitivamente velha.
Então que venham as novas garotas de Ipanema! Mas sou homem de eterna musa. Essa minha cidade.
Agora que já sabem de mim, que eu diga o que vim para dizer a vocês:
Nesse verão há de haver o marasmo absoluto que dá a paz e a tranqüilidade de que precisamos. É um verão de se carregar as baterias, para gastá-las com a mesma intensidade, a mesma paixão.
Estamos todos de corpos quentes, para nos demorarmos em beijos lentos, em bebedeiras e nos deitarmos nas curvas do Pão de Açúcar, nos abraçarmos como os Dois Irmãos, nos arrastarmos como a Pedra da Gávea e brilharmos, “timidamente” ao sol como o Redentor. Vivamos muito mais do que qualquer outra coisa. E acreditemos no amor. Ele é a coisa mais importante. Seja o amor por um amigo, por um irmão, por uma amante, pela vida, por quem apesar de tudo você ama, aprendendo com e perdoando os erros.
Porque das areias do Leblon, para as quais sou levado a contragosto por meus companheiros, até as mesas do Pavão Azul. Nas festanças e na beleza do pôr do sol. Entremeio pessoas, olhares, paixões. Temos a incerteza, a total incerteza do amanhã. E sim, ele pode ser avassalador, mas por uma ridiculamente aleatória e fortuita convergência de coincidências pode ser perfeito. E se estivermos prontos para ele, vamos gozar ao máximo de sua presença.
Então que essa incerteza nos atire ao mar de nossos dias, confiantes, acreditando no que quer que seja que acreditamos, porque nada nem ninguém vai tirar isso de nós, nessa cidade maravilhosa, nesse verão, essa felicidade. Vivendo e, sobretudo, acima de tudo, amando demais.
Feliz verão para vocês!
Feliz verão para todos nós!

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